4.5.06

Somos quem podemos ser?

Para quem não conhece os filmes de James Bond das décadas de 60 e 70, aqui vai um breve resumo de todos: tínhamos um herói americano, inteligente, bonito, capaz de resolver qualquer situação e sempre superior aos outros. E em contrapartida um vilão que não costumava se rum exemplo de inteligência, e que quando não era russo, tinha pelo menos um aliado comunista. E quanto aos filmes para adolescentes? Quem não viu Porks – um filme que retratava a juventude (ou como ela deveria ser) norte americana do inicio da década de 80 – não viu garotos de 10 a 20 anos sempre humilhando uns aos outros, atrás de sexo e bebidas alcoólicas, o que era imoral para garotos tão novos.

Hoje a realidade é um pouco diferente. O inimigo não é mais russo – embora o herói ainda seja o mesmo. Nos filme para adolescentes não há mais maldade em beber um pouco, e o companheirismo, o respeito e a cumplicidade são muitos bem exibidos na tela. Mas por que essa mudança?

Fica claro que nos filmes de hoje não há uma “sugestão” do governo sobre o rumo que o roteiro deve tomar. Hoje não há mais uma guerra fria entre duas formas de governo, não há mais um inimigo declarado – apesar do crescente número de facções terroristas. Porém estas não representam tanto perigo ao “estilo de vida americano”, como a antiga União Soviética uma vez o fez, pois seu país é pobre e seu governo não é capaz de impor sua cultura pelo globo. Mas será que ainda há algo nos filmes?

Basta uma análise superficial para uma resposta mais completa. Lembro quando fui ao cinema assistir Independence Day – um filme em que a Terra é invadida por alienígenas que não queriam nada além de massacrar os humanos. Nenhuma nação conseguia responder à altura aos ataques invasores, até que a santíssima trindade nos salva: um negro, um judeu e o presidente dos Estados Unidos são os três seres capazes de proteger a Terra. Os três americanos, exalando uma cultura americana e idealismos consumistas. Depois disso tivemos X-men, Homem aranha, Jim Carrey e Edie Murphy. Tantos filmes diferentes, mas com alguma coisa em comum. Todos eles nos ensinam algo. Algo que não é mais programado, algo que não possui um órgão responsável para inseri-lo lá, algo que é fruto de si mesmo. Todos esses filmes, “block busters” (como são chamados), como pensam, andam e vestem os americanos, de todas as idades.

Não há maldade nisso, não há crueldade editorial aqui. Há apenas uma influência, uma forte influência, nos nossos valores, que nos ensina o que é certo, o que é bom e o que é bonito. A idéia não é mais a mesma. Eles não precisam mais dizer que são os melhores, que são superiores, regendo o mundo e nos protegendo de todos os males. Eles querem que sejamos iguais a eles, que pensemos da mesma forma para que desejemos consumir os mesmos produtos. Hoje é assim que um filme nos influencia. É dessa forma que temos nossa liberdade abduzida e transformada por uma cultural dedicada ao consumo.

Portanto, por ser peixe pequeno, nada posso fazer a não ser conviver com essa influência. Sei que com o tempo também serei englobado por essa cultura sem personalidade – sem o ser – e serei apenas mais um. Uma cópia do querem que eu seja, do eu vejo na mídia, uma nova versão do homem perfeito. E assim, viverei sem ter sido a novidade que fui capaz de ser.


Profetizando chab